domingo, 27 de julho de 2014

Me remeto a Paris


Faz pouco mais de um mês que descobri que carrego comigo o virus HIV. A minha vida em geral nao mudou em nata, continuo na minha analise, continuo com minha psiquiatra, lembrando que a psiquiatra é nova na historia. E agora a infectologista, que so tive o prazer de encontrar uma vez.


Um amor de pessoa, um sorriso reluzente que trouxe vontade de viver! 

Confesso que o medo da morte, a cada noite que passa diminui. Daqui a alguns dias farei meu exame novamente, mas no meio disso tudo, tenho os meus problemas antigos pra resolver, coisas que sempre deixo pra resolver depois e agora decidi que talvez eu nao tenha tempo.

Entao comecei a tirar as coisas que estão debaixo do tapete. 




Voltei a ler, voltei em vão a procurar pessoas que gosto, estou me reaproximando da minha religião, lembrando que sou contra religião, mas retornando ao amor incondicional que Deus (o que eu acredito) tem por mim, voltando a caminhar todos os dias, voltei a ler!



Coisas muito positivas, me perdoem o trocadilho, tem acontecido em minha vida! 

Aprender a conviver com isso tudo esta sendo uma novidade pra mim.

Por exemplo, essa semana me queimei com meu próprio cigarro e a cada segundo olho para a queimadura na esperança de que sare logo, so assim vou dormir em paz. 

Todos os dias quando caminho tento pensar na minha vida, no que fiz, no que vou fazer, e hoje so conseguia pensar em musicas que tocavam sem sentido na minha cabeça.


Quando voltei pra casa, iniciei a leitura de um livro que se passa na Paris do século passado, e estou sendo arrebatado por essa leitura, lembrando das ruas que percorri e usando minha imaginação para adaptar a Paris que vi à Paris descrita no livro. 

Isso tudo me ajuda a lhe dar com a solidão de sentar sozinho a mesa do jantar a noite e ao deitar na cama para dormir. 

Tantas coisas, tantas pessoas, tanta solidão. 

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